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Na praça

Cedo ou tarde,nos questionaremos sobre a nossa própria existência e a existência do amor. Cada qual no seu caminho procurará por respostas, renovadas por mais perguntas. A existência parece inesgotável. Buscamos conhecer o mundo, memorizamos conceitos, o que nos permite aprender a caminhar, a falar, a pensar. E, por que não, a amar? A escrita nos permitiu escrever histórias e a fotografia nos possibilitou buscar imagens para tais histórias.

Em meio à memória do conhecimento, retida em páginas de papel das estantes da biblioteca municipal e às pinturas nos murros e paredes ao redor da praça, a infância se espalha. Eis um 12 de outubro de 2010 (dia das crianças) representado pelo contraste entre o momento de diversão e o protesto da pintura: enquanto o desenho mostra o parque vazio e crianças a trabalhar, os brinquedos feitos de matéria (não somente de pigmento depositado em matéria) estão quase todos ocupados.

Ao caminhar pela praça, penso em famílias, na continuidade de uma civilização controvertida, em uniões supostamente baseadas no sentimento de amor. O muro não nega que o dilema do mundo civilizado já habitou outras cabeças.

— FREUD!

Sigmund Feud salta de minha memória e tudo parece estranhamente claro. Estamos entre o bem e o mal, entre o amor e a morte. Discurso e vivência travam batalhas, como a parede e o playground. Em um mesmo lugar a civilização revela seu presente e sua possibilidade de continuar existindo como uma das maiores contradições. Resta-nos o mal-estar da incerteza.

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Essa postagem relata uma das saídas fotográficas realizadas em função de meu Trabalho de Conclusão de Curso, compondo um diário de bordo da busca pelo conhecimento do amor da poesia "A angústia de João", de Menotti Del Picchia, por meio da fotografia.

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