Imagine-se no escuro, tentando adivinhar algo que lhe colocam nas mãos, tateando o objeto. Com transcorrer do tempo a coisa se torna conhecida, diacronicamente, linearmente, como em um texto. O conhecimento a partir da percepção tátil se acumula na memória até formar a imagem que evoca o objeto. Isso, na prática, é diacronia: entender o objeto por partes que resultam em síntese ou conclusão de sua natureza.
Perante uma imagem “interia”, o caminho é inverso. Visualizamos, em sincronia, ao mesmo tempo, todos os elementos e o entendimento parece instantâneo. E depois é que se pode pensar por partes, nos gestos, na disposição dos objetos e nos detalhes.
Ler a fotografia diacronicamente, tendo a sincronia em pedaços, instiga o olhar ao entendimento.
No vídeo a seguir, o retrato capturado por Gen Nishino é fragmentado...
Eis a ternura, o amor, o carinho e outros sentimentos que se fundem em gestos singulares e em luz, som e, de certa forma, tato.
Gen Nishino
A beleza! Essa é a procura de Gen Nishino, fotógrafo residente em Nova Iorque. O começo como hairstylist (estilista de cabelo, em tradução live) levou Gen ao mundo da beleza construída nas revistas nova-iorquinas. Dos cabelos passou à arquitetura de imagens. Dentre as belezas que retrata estão as da revista Playboy, uma das publicações em seu currículo.
Foi a partir do site de Nishino, iniciado por um vídeo, que nasceu a ideia dessa postagem: se ele poderia guiar meu olhar, ladeado por música, pelo tempo que quisesse em cada foto sua, eu poderia reproduzir a mesma técnica. A finalidade (creio eu), no caso dessa postagem, é pensar como podemos ler uma fotografia e associá-la a outros sentidos para potencializar esa leitura. A propósito, a música do vídeo é “Save me from myself”, em versão instrumental.
###
Esse texto integra a série inspirada pela Coletânea de imagens do catálogo de fotografias “O2”, da Tony Stone. Na edição, adquirida em um sebo, são reunidas imagens em oito categorias, dividindo o mundo em: Consumidores, Lazer, Retrato, Tecnologia, Dinheiro, Trabalho, Corporativo e Transporte.
0 comentários:
Postar um comentário