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Na faculdade

Acordar cedo no sábado nunca foi a melhor parte de estudar jornalismo. Mas, naquele dia, valeu à pena. Saí de casa armada de Luna (minha câmera), mas, como assistiria normalmente à aula, deixei a câmera no porta-malas. O professor da disciplina de redação havia reservado o dia para a apresentação de livros-reportagem. Não era meu dia nem minha vez. Era 16 de junho, “Dia dos namorados”.

Antes de começarem os discursos sobre os livros, uma de minhas colegas que já conhecia meu tema de monografia me avisou que havia um casal no corredor (e a minha câmera continuava no porta-malas). Sem pestanejar, corri em disparada para buscar a Luna. Meio fora de forma, tive que me esforçar e criar coragem para enfrentar o caminho de volta.

Cada degrau da escada era um martírio. Tentei ser discreta, mas minha respiração fazia mais barulho do que os tambores da Sapucaí em pleno carnaval. Eu já tinha sido notada. Entrei e saí da sala para disfarçar. Quem acabou percebendo minha movimentação foi o professor.

Resolvi ficar do lado de fora para observar o casal. O fenômeno não se curvaria à minha vontade. Eu deveria esperar até que o conceito se imaginasse e fosse apreendido no instante. Sabia que a presença dos dois me faria a refletir e pensar o amor, mais especificamente, o amor paixão romântico, da busca de igualdade e equilíbrio entre os amantes. Similitude traduzida em simetria.


E a caça continuou em outras datas...

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Essa postagem relata uma das saídas fotográficas realizadas em função de meu Trabalho de Conclusão de Curso, compondo um diário de bordo da busca pelo conhecimento do amor da poesia "A angústia de João", de Menotti Del Picchia, por meio da fotografia.

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