0

Abstração em imagens fotográficas

Criar cenas e sentidos por meio de fotografias é algo já conhecido, mas vale à pena pensar sobre isso. Poderia uma imagem de um acontecimento do cotidiano, com sujeitos protagonistas, ser tão irreal como outra encenada por bonecos? Quando se trata de representação, por meio da fotografia, a resposta pode ser um sim.

Tendo duas câmeras diferentes, uma Nikon e uma Canon digitais, por exemplo, inúmeras imagens podem ser criadas de um mesmo acontecimento, com variações próprias das diferenças entre as duas tecnologias.

Se você algum dia já discutiu com alguém sobre cores...

— É azul!
— Tá maluco?! É verde-água...

... consegue entender que a diferença está na percepção. Ou, no caso dos aparelhos: na programação. A tecnologia condiciona a representação daquilo que se fotografa, assim como a própria história do olhar de um fotógrafo condiciona a percepção de novas cenas.

O universo é, naturalmente, colorido e múltiplo. Quando, na fotografia, reduzimos os estímulos luminosos a dois extremos — o preto e o branco —, concebemos variações de cinza e sabemos que aquelas imagens não se referem diretamente ao mundo ou às pessoas, mas a conceitos sobre eles. São abstrações. No entanto, devemos nos deixar advertir e saber que a fotografia em cores pode ser mais abstrata que aquela em preto-e-branco, pois condensa os mistérios da transformação de conceitos que desconhecemos em codificação luminosa aproximada do "real" — isso quando consegue chegar próximo ao que convencionamos ser a "realidade".

A fotografia é abstrata sem precisar ser totalmente forjada como histórias em quadrinhos...

Só não pude destruir o carrinho...

0 comentários:

Postar um comentário