Tendo duas câmeras diferentes, uma Nikon e uma Canon digitais, por exemplo, inúmeras imagens podem ser criadas de um mesmo acontecimento, com variações próprias das diferenças entre as duas tecnologias.
Se você algum dia já discutiu com alguém sobre cores...
— É azul!
— Tá maluco?! É verde-água...
... consegue entender que a diferença está na percepção. Ou, no caso dos aparelhos: na programação. A tecnologia condiciona a representação daquilo que se fotografa, assim como a própria história do olhar de um fotógrafo condiciona a percepção de novas cenas.
O universo é, naturalmente, colorido e múltiplo. Quando, na fotografia, reduzimos os estímulos luminosos a dois extremos — o preto e o branco —, concebemos variações de cinza e sabemos que aquelas imagens não se referem diretamente ao mundo ou às pessoas, mas a conceitos sobre eles. São abstrações. No entanto, devemos nos deixar advertir e saber que a fotografia em cores pode ser mais abstrata que aquela em preto-e-branco, pois condensa os mistérios da transformação de conceitos que desconhecemos em codificação luminosa aproximada do "real" — isso quando consegue chegar próximo ao que convencionamos ser a "realidade".
A fotografia é abstrata sem precisar ser totalmente forjada como histórias em quadrinhos...
Só não pude destruir o carrinho...

0 comentários:
Postar um comentário